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24/07/2020

Artigo: Dor no peito e Covid-19

Dor no peito e Covid-19

Desde o início da pandemia pela COVID-19, iniciada em fevereiro de 2020, a sociedade precisou se adaptar a uma nova realidade. Hospitais criaram alas visando a biossegurança, novas UTIs e protocolos, contrataram mais médicos, realizaram treinamentos e, principalmente, racionalizaram os recursos disponíveis para o bem de todos.

No âmbito extra-hospitalar, a comunidade realizou o isolamento social como forma de tentar conter a disseminação da doença. A orientação das autoridades de saúde foi de procurar hospitais ou realizar consultas médicas somente em casos graves ou de extrema urgência. No entanto, com o prolongamento da pandemia, diversas doenças que estamos expostos sofreram um grande impacto negativo. Será que um câncer pode esperar 3, 4, 5 meses para iniciar ou tratamento? Será que talvez esses meses não fariam a diferença entre uma cura ou um tratamento mais adequado e precoce? E uma dor no peito, pode esperar a epidemia passar? São perguntas que eu me faço como médico, e que as respostas veem colocando-se no lugar do outro. Imagino caso fosse um familiar, ou até eu mesmo. Certamente, não esperaria nada para procurar ajuda, tendo em vista a importância do tratamento precoce das doenças cardiovasculares. Afinal, é normal ter dor no peito ou falta de ar?

No mundo todo, pessoas com dor no peito estão infartando em casa e não procuram auxílio por medo de contraírem a COVID-19. Dados dos EUA apontam uma redução de 40% nos atendimentos por infarto agudo do miocárdio e cateterismos cardíacos de urgência. Há, consequentemente, um salto na mortalidade fora do hospital, ou seja, em casa, quando comparado ao período pré pandemia. Imaginem as consequências desses infartos não tratados em 2030. Será que estas pessoas estarão entre nós? E os casos cardiológicos ditos "eletivos’’, como uma doença grave nas válvulas cardíacas, na qual 50% dos indivíduos morrem dentro de 2 anos sem tratamento. Os sintomas desses pacientes também são dor no peito e falta de ar. Aquela mesma dor no peito causada por ansiedade. Como diferenciar sem fazer uma avaliação individualizada? Vale a pena correr esse risco? Acredito que tudo possa melhorar com a educação da população, alertando a importância de reconhecer situações e patologias graves.

Mas como definir se possuo uma situação de emergência ou alguma doença grave? Pergunta difícil de responder, porém devemos estar atentos à dor no peito, falta de ar, desmaio, dor muito forte, alteração da visão, perda de força, pressão arterial > 190/100 mmHg, febre, sangramento.

Use máscara, lave as mãos, proteja-se, mas se você não estiver sentindo-se bem, não tenha medo de procurar ajuda. Estamos aqui por vocês!

Stefano Boemler Busato

Médico do Hospital Estrela

Especialista em Ecocardiografia, Cardiologia, Ergometria e Medicina Interna