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24/05/2019

Maio Roxo alerta para doenças inflamatórias intestinais

 Pouco conhecidas da população e causadoras de grande sofrimento aos afetados, as doenças inflamatórias intestinais são foco de alerta do Hospital Divina Providência (HDP) nesse mês – é o chamado Maio Roxo. As doenças de Crohn e Recolite Ulcerativa tiveram um aumento de 38% somente no Estado de São Paulo, segundo estudo recente.

São condições autoimunes, não têm cura, mas respondem a tratamentos. Elas comprometem, na maioria das vezes, indivíduos jovens. As doenças ocasionam inflamação do intestino em diferentes segmentos. Os sintomas são dor abdominal, diarreia - com episódios que podem durar até 30 dias - sangue ou pus nas fezes e emagrecimento, podendo em alguns casos evoluir para fístulas, obstrução intestinal e, em cerca de 80% dos casos, necessidade de uma ou mais cirurgias durante a vida, inclusive com a retirada de parte do intestino.

“O número de pacientes com essa doença vem aumentando no Brasil e no mundo. Um recente estudo identificou 13 novos casos ao ano para cada 100 mil habitantes no Estado de São Paulo, sendo que, há nove anos, a incidência era de oito casos. Mas, felizmente, junto com o aumento dos casos, também vêm crescendo as possibilidades de novos tratamentos, sobretudo com as chamadas terapias imunobiológicas”, destaca o gastroenterologista do HDP, Dr. César Al Alam Elias.

Ouça. no link abaixo, uma entrevista do Dr. César sobre o assunto.

Jornal da Noite (26.05)

Impacto na vida

As ocorrências de diarreia são frequentes, havendo de cinco a dez episódios por dia. Há crises que duram cerca de 30 dias ou mais, impedindo a vida social dos pacientes, sobretudo dos mais jovens. Há relatos de pacientes que tiveram de abandonar os estudos, o trabalho.

Saiba mais

Doença de Crohn

A doença de Crohn manifesta-se por inflamações em qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus), sendo mais comum no final do intestino delgado e do grosso. Entre os sintomas principais estão diarreia, sangue nas fezes, anemia, dor no abdome, perda de peso e febre. Mais raramente há estomatites (inflamações na boca). Também pode atingir pele, articulações, olhos, fígado e vasos. A doença mescla crises agudas recorrentes, leves a graves, e períodos de ausência de sintomas.

Retocolite ulcerativa

A retocolite ulcerativa inespecífica caracteriza-se por inflamação da mucosa do intestino grosso, apresentando diarreia crônica com sangue e anemia. O reto quase sempre está afetado, sendo às vezes o único segmento. Não há lesões no intestino delgado, o que constitui característica da doença, muitas vezes sendo o fator primordial para diferenciá-la da doença de Crohn. A inflamação pode vir a se tornar muito grave, com hemorragias maciças e perfuração intestinal, necessitando de cirurgias de urgência.

O que causa a DII?

As causas da DII ainda são desconhecidas, embora os cientistas desenvolvam pesquisas sobre o assunto. Pesquisas mostram que cerca de 20% das pessoas portadoras de DII têm alguém na família que também é portador. Porém, outros fatores podem estar envolvidos com a origem da doença. De fato, o sistema imunológico dos pacientes afetados trabalha em excesso.

Tratamentos

Por serem doenças crônicas, tanto a Doença de Crohn quanto a Retocolite Ulcerativa requerem tratamento a longo prazo, com medicação de uso contínuo. O tipo de medicação vai depender da gravidade da doença, da parte do intestino afetada, ou se há alguma complicação. Em geral, o objetivo do tratamento médico na DII é controlar a inflamação.

Todos precisam de cirurgia?

Quando a medicação não funciona, a solução é a cirurgia. Em alguns casos, a melhor solução para o paciente é a retirada de parte do intestino. Durante o procedimento, o médico remove a parte afetada do intestino e une duas partes saudáveis restantes (anastomose intestinal). Este procedimento é chamado ressecção.

Em alguns casos, outras intervenções são necessárias para a retirada de partes doentes, remoção de um bloqueio ou obstrução no intestino, o que pode ser causado por uma inflamação grave. As ulcerações também podem causar sangramento e, quando não pode ser contido, a cirurgia é necessária para remover a parte afetada do intestino.