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06/06/2012

Enfermeira do Divina realiza trabalho voluntário em Moçambique

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“Uma parte de mim ficou lá.” É o sentimento que acompanha a enfermeira Karine Rodrigues, após passar 20 dias como missionária em Moçambique, na costa oriental da África. A profissional, que trabalha no Ambulatório de Terapias Naturais e Complementares 1º de Maio há 1 ano e 7 meses, embarcou para a África no dia 20 de fevereiro para prestar ajuda em lares mantidos pelas Irmãs da Divina Providência, na Província de Niassa. Karine foi a primeira leiga de Porto Alegre a ser voluntária no projeto.

Após a chegada em Maputo, a capital de Moçambique, Karine enfrentou 6 dias de deslocamento para chegar a Entre Lagos, em estradas esburacadas. “A viagem é muito ruim, e eu carregava 10 kg de livros do Novo Testamento que conseguimos como doações.” No lar moram cem jovens, de 13 a 18 anos, sendo 50 meninos e 50 meninas, e havia no local apenas 36 Novos Testamentos. Além dos livros, 18 mil meticais africanos (a moeda local), cerca de R$ 1.300,00 reais, obtidos em uma campanha feita no Brasil, foram doados.

Em Entre Lagos, a brasileira ministrou um curso de saúde básica, onde foi ensinado o quão importante é se hidratar, que as roupas devem ser sempre bem secas ao ar livre, além de noções básicas de acupuntura, que podem ajudar a combater dores. Os pontos da formação foram escolhidos de acordo com os problemas mais frequentes. “A saúde é muito precária. Tem muito mosquito, eles já estão acostumados a pegar malária. Também existe muito problema de desnutrição e desidratação. Ainda me preocupei com o lado emocional deles, como o Divina já faz com seus pacientes.”

Karine e algumas de suas alunas, moradoras do lar

"Aprendi que quanto menos se tem, menos se precisa."

Com o dinheiro das doações criamos uma enfermaria. Foram comprados medicamentos e utensílios para primeiros socorros. Oito laristas foram escolhidos como pequenos enfermeiros, após a formação em saúde básica. “A minha preocupação era que eles colocassem em prática o conhecimento que eu estava passando. Eles vivem com essa política tribal, onde um cuida do outro. Então adoraram a ideia”, lembra.

O lar é um dos poucos locais que possuem energia elétrica, pois existe um gerador a luz solar. A água é de poço e as camas são um luxo, pois antes dormiam apenas em redes. Três irmãs da missão Deus Providência são responsáveis por este lar: Markelizia Araújo, da Província Coração de Jesus, de Florianópolis; Zélia Neiss, da Província Nossa Senhora da Providência, de São Miguel do Oeste; e Delvina Pasquali, da Região Divina Providência, em Lajeado.

No lar em Massangulo, as irmãs Celéria Gabriel, da Província Nossa Senhora da Providência, de São Miguel do Oeste, e Maria Beatriz Mohr, da Província Imaculado Coração de Maria, de Porto Alegre, dedicam suas vidas a ajudar o povo. “O coração destas Irmãs não tem tamanho, são almas maravilhosas. Doam a vida para ajudar e fazem realmente a diferença na vida do povo”, testemunha. Nesta cidade, a enfermeira também fez visitas domiciliares, onde examinou doentes e crianças e conheceu a Escola Primária de Lichinga e o Centro Nutricional Padre Ariel, em Mecanhelas.

No dia 11 de março, a enfermeira retornou ao Brasil. “Cada segundo passado na África valeu a pena. Aprendi que quanto menos se tem, menos se precisa. Os valores que tenho comigo, que uso no meu trabalho no Ambulatório, apenas foram confirmados. Me sinto feliz de ter oferecido ajuda aos pequenos africanos.”

Fonte: Texto: Bruna Reis

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